INTRODUÇÃO
Incentivaram-me para que eu publicasse um livro a relatar as minhas aventuras carnais.
O livro está completamente fora de questão por várias razões: desde o facto de ser quase impossível um estranho editar um livro, com todas as burocracias existentes nesse mundo, até ao facto de eu não querer dar a cara.
Assim, para não desapontar muito as três pessoas que conhecem as minhas histórias, resolvi criar um blog, meio anónimo, onde posso relatar as minhas aventuras.
Não sei se me deixarão fazê-lo, pois pode ferir susceptibilidades e assim procederem ao cancelamento da minha conta, com todo o direito.
Sempre tive pretendentes atrás de mim e até me senti atraída por um ou outro, mas por vergonha ou timidez nunca avancei para além de uma amizade. Até que um dia resolvi dar assas aos meus desejos e entrar no universo romântico.
Sempre dei os meus passos, numa qualquer relação, já bem tarde, para o “normal”, ou seja, o meu primeiro beijo de língua (linguado), foi aos 17 anos (quase 18) e a primeira vez que tive relações sexuais foi aos 19 anos (quase 20).
Precisamente dez anos depois de iniciar a minha vida sexual, comecei a escrever este texto, o qual não o colocarei no blog ainda, embora não o coloque logo directamente aqui. Nestes dez anos, muita coisa vivi, muito aprendi. Amei e fui amada. Descobri o verdadeiro significado do AMOR. Também traí e fui traída. Ri e chorei. Bons e maus momentos passei. Apanhei alguns sustos do género, o meu período atrasou, será que estou grávida? Cheguei a fazer testes para confirmar que não.
Mas estes pormenores contarei mais à frente, em cada capítulo. Sim, em cada capítulo, pois dividirei por capítulos cada rapaz que se cruzou na minha vida.
CAPÍTULO I – José A. M. ()
Este é o primeiro capítulo e talvez seja um dos mais pequenos.
O José era um adolescente lindo. O género de rapaz que tem tudo no lugar. Jovem, inteligente, atraente, bonito, sempre rodeado de amigos e amigas. Podia ter a rapariga que quisesse, pois, tanto as mais novas como as mais velhas não se importavam nada de andar com ele, muito pelo contrário, lisonjeavam tocar naquele corpinho. Pertencia a uma religião qualquer que segundo as suas palavras “estava meia hora a falar com Deus e meia hora a falar com o Diabo”. Creio que foi o Diabo que o levou do mundo dos vivos ainda tão jovem, na flor da idade, num trágico e mortal acidente de viação. Que Deus tenha a sua alma em descanso.
O primeiro rapaz a quem eu dei um linguado mesmo a sério. Já lá vão 11 anos. Mas lembro-me perfeitamente. Estava meia envergonhada, um pouco assustada. Não sabia bem como fazer...
Foi no Verão. Estava uma tarde bem quente, ou não estivéssemos nós no Algarve. Andava eu a tirar a carta de condução, quando o reencontrei numa rua da cidade.
Há muito que não nos víamos, pois existia uma distância significativa entre nós e na altura não éramos tão dependentes dos telemóveis como agora. Nem toda a juventude tinha um telemóvel. Agora qualquer criança da primária já tem um...
Ele convidou-me para irmos passear, só dar uma volta e ver o mar. Aceitei de imediato. Foi namorado de uma amiga minha, mas já estava livre e descomprometido.
Íamos os dois em direcção ao mar. De repente, ele parou, encostou-me a uma parede e beijou-me. Nem sei o que senti. Talvez um arrepio no estômago, uma adrenalina a subir pela espinha. Algo esquisito que já nem me lembro bem. Mas foi bom. Senti a língua dele na minha boca. Pensei: “O que é que eu estou a fazer?” Nem tive tempo de encontrar uma resposta, visto já ter uma mão dele a agarrar o meu seio. Tentei afastar-me. Ele puxou-me contra o seu corpo e não parava de me beijar. Como estávamos com os corpos muito juntinhos, senti uma “coisa” dura contra o meu ventre. Óbvio que sabia o que era. Mas a com minha inexperiência e ingenuidade não sabia que “aquilo” crescia tão rápido apenas com uns simples beijos.
Pouco a pouco já me encontrava à vontade na arte de beijar, de dar uns belos linguados e o Zé apercebeu-se disso e disse-me:
- Já tas mais descontraída.
- Falta de prática – comentei eu.
Como tudo nesta vida eu aprendo rapidamente, isto foi fácil e em menos de cinco minutos já era uma craque na habilidade dos beijos.
Tudo estava a correr bem, até que tive mais uma surpresa.
O rapaz pegou na minha mão e colocou-a dentro dos boxeurs dele. O meu pensamento foi “Uau, que coisa grande e grossa que eu tenho aqui na minha mão”. Mas não passou dali. Ele queria mais e mais eu não lhe dava.
Curtimos outras vezes. Foi bom. O Verão acabou e perdemos o contacto.
Passados alguns meses voltámo-nos a encontrar. Ficou a promessa de relembrar os bons e velhos tempos e quem sabe acrescentar algo mais.
No entanto, o destino separou-nos outra vez.
Passados alguns anos, encontrei uma amiga dele. Ao perguntar-lhe pelo Zé, obtive a mais triste resposta:
- O Zé faleceu num acidente de carro.
É aqui, com um final triste, que acaba o primeiro capítulo da minha história.
CAPÍTULO II – César
Antes do César vinha o Cláudio. Mas, como este é uma história bem mais longa – ainda dura, de vez em quando – resolvi passar à frente. Sim, porque o capítulo do Cláudio é bastante longo. De vez em quando, ainda damos uma bela queca, para matar as saudades. A nossa amizade é linda.
Como sempre fui uma rapariga que gosta de frequentar os mais diversos sítios, desde a discoteca mais in até um simples bailarico, numa noite fria de Dezembro fui a um baile com a malta amiga. Foi aqui que conheci este rapaz. Nunca soube dançar estas músicas, pois era algo que não me interessava.
O César convidou-me para dançar.
- Não sei dançar este tipo de música – foi a minha resposta.
- Eu ensino-te – contestou ele.
Mal sabia eu que também teria de lhe ensinar algo.
Não me apetecia entrar em discussão e cedi ao seu pedido. Fiquei surpreendida comigo mesma, pois até estava a acertar o passo com o rapaz. Dançámos a noite toda.
A excitação de fazer algo diferente naquela noite foi tanta, que até nos esquecemos de trocar os contactos.
(Já estamos em Janeiro de 1999).
Tempos depois, encontrei a irmã do César com uma amiga. Elas reconheceram-me imediatamente e apenas quiseram confirmar se era mesmo eu, pois ele só falava em mim noite e dia, apesar de nunca me ter visto nem saber se me voltaria a reencontrar. Eu nem as conhecia, não me lembrava da cara delas, nem sequer de as ter visto naquela noite, pois a minha atenção estava focada única e exclusivamente no jovem. Após a confirmação, a irmã dele deu-me a morada, visto o rapaz ainda não possuir telemóvel. Se fosse ao próprio dar-lhe-ia o meu contacto, mas a terceiros não.
Escrevi-lhe uma carta, sem remetente, a marcar um encontro num determinado dia, a uma certa hora. O rapaz apareceu.
Passámos o dia inteiro juntos. A meio da tarde, entre frases quase inacabadas, muita vergonha e timidez à mistura, pediu-me em namoro.
Aceitei, o gajo era giro, simpático, porreiro, pareceu-me bem e aceitei.
Ia-me beijar, mas recuou:
- Há um problema – afirmou ele.
- Qual problema? – questionei, fazendo, no meu pensamento, mil perguntas a mim mesma.
- Eu não sei beijar – proferiu cabisbaixo.
“Isso nunca se diz”, pensei eu, enquanto tentava assimilar se era mesmo aquilo que eu tinha ouvido.
- Que idade tens mesmo? – foi a pergunta que me veio à cabeça.
- 23.
- Bem, já que me ensinaste a dançar, eu ensino-te a beijar.
Já me sentia uma “expert” em matéria de beijos, após a minha alucinada experiência com o Zé e as loucuras (da altura), com o Cláudio.
Levei o resto da tarde a ensinar-lhe a beijar.
Nesse dia, o Cláudio comemorou o seu 18º aniversário. E, que bela prenda de anos que ele recebeu da minha parte: um par de cornos. Bem, não posso dizer que foi propriamente uma parelha, pois a nossa relação não era nada séria. Era mais uma amizade colorida. Eu estava e não estava com ele. A nossa história era um pouco diferente das outras histórias de casalinhos. Agora também é, mas de modo distinto e mais escaldante.
Eu e o César trocámos de contactos ao final do dia.
Telefonava-lhe para ele ir à escola ter comigo. No dia e hora marcada, lá estava ele no portão à minha espera. Passávamos o dia no jardim ou em frente à doca.
O rapaz lá ia aperfeiçoando o seu modo de beijar.
Uma bela manhã, estava eu a tomar o pequeno – almoço com os meus amigos, num café em frente à escola, quando o vejo entrar naquele estabelecimento comercial. Entrei em parafuso. Se nós não tínhamos combinado nada, como é que ele se atrevia a aparecer na escola? Como o café estava cheio, escondi-me atrás dos meus amigos.
Chegou a hora de entrada e eu ia ter aulas. Mas ele estava lá fora, perto da porta do café, em frente ao portão. No meio da malta saí dali e corri para a escola.
No final da aula pensei em dar uma volta com uma colega, para desanuviar e poder contar-lhe aquela cena. Mas, quando nos preparávamos para sair, ele ainda estava de plantão à frente do portão. Que cena marada. A escola tinha mais dois portões, mas encontravam-se fechados, ainda.
Como o rapaz não resolvia ir embora, tivemos de esperar que o outro portão abrisse.
Saí dali, bem furiosa. Sentei-me num banco de jardim. Arranquei uma folha dum caderno, peguei numa caneta e escrevi-lhe uma carta que se resumia a: “Nunca mais apareças na escola. Esquece que eu existo.”
Tenho a certeza que ele recebeu a carta, pois nunca mais me procurou e a nossa história terminou ali.
CAPÍTULO III – Custódio
O Custódio é um capítulo antecipado, pois antes vinha o Luís, mas como com este as coisas aprofundaram-se mais após uma pausa, coloquei este primeiro.
Foi no dia 1 de Maio que nos conhecemos. Estava bastante calor. A ribeira sempre transmitia uma aragem fresca. A festa era porreira, embora a música fosse de um nível mais inferior.
O seu corpo musculado e o facto de ter mais 9 anos que eu, despertou em mim, uma vontade enorme de o beijar. Tinha a consciência, que seria apenas uma curte do momento, caso ele me desse a oportunidade de o poder beijar.
Ele, como homem experiente, rapidamente percebeu o que eu queria. Convidou-me para passear junto à ribeira, mais isolados daquela multidão. Lembro-me de irmos andando, de repente ele estacou e puxou-me o braço. Com o impulso, quando me voltei, beijou-me. Uau, e que beijo. Já beijei muitos rapazes, mas o Custódio foi e ainda é, sem dúvida, o rapaz que melhor beija. Em cada beijo ia à lua vinha. Aquela língua fez maravilhas na minha boca.
Foi um término de tarde maravilhoso.
Contudo, tínhamos de voltar para junto dos amigos.
Era difícil olhá-lo e resistir à tentação de efectuar ali uma troca de saliva. Quando tive de deixar aquele lugar, ele aproximou-se e colocou na minha mão um papel com o seu número de telemóvel.
Ainda chegámos a sair algumas vezes ao longo do mês.
Em Junho conheci o André – será o próximo capítulo, mas precisava de fazer esta referência – e começámos a namorar.
Na noite de São João tive um desencontro com o André – que comentarei no respectivo espaço – então telefonei ao Custódio para irmos sair. Não resistiu ao convite.
Fomos os dois até uma praia. A 2 km dali ouviam-se as marchas populares de São João.
No meio da conversa, deu-se uma troca de carinhos e, naquele aconchego, ele beijou-me. Poderia ter parado, pois tinha um namorado recente, mas não, deixei-me levar, também, principalmente, porque estava irritada do desencontro que tive com o André, apesar deste não ter culpa nenhuma.
Como o Custódio já era um homem entendido em mulheres, certamente com uma vasta lista delas por entre os seus braços, obviamente que não queria andar só aos beijinhos. Entre muitas carícias foi-me tirando roupa (a minha e a dele). Entreguei-me completamente a ele, de corpo e alma. Informei-o que nunca o tinha feito. Compreendeu, mas não parou, eu também não o pedi para o fazer. Foi muito carinhoso e meigo comigo. Foi a minha primeira vez, por isso não vou entrar em pormenores sórdidos, pois é especial de mais. Apenas digo que foi um acontecimento lindo e maravilhoso, não há palavras para explicar.
Durante toda a noite perguntou-me se eu estava bem.
Ficámos naquela praia até ao nascer do Sol. Depois tomámos o pequeno – almoço juntos. E cada um seguiu para a sua casa.
Ao longo do dia, entupiu-me a caixa do telemóvel com mensagens. Não tive coragem para responder a nenhuma. As chamadas não atendidas também se iam acumulando. Somente ao final da tarde contei-lhe que tinha namorado. Creio que ele não compreendeu bem e, como eu me recusava a atender o telemóvel, enviou-me uma mensagem onde me acusava de eu não ter coração e, que depois da noite que tínhamos acabado de passar juntos, seria impossível eu gostar mais do rapaz a quem chamava de namorado do que dele.
Após tantos dias em que andámos a curtir, depois daquela noite de amor, como seria possível eu não sentir algo mais profundo por ele? Era apenas como amigo que o queria a meu lado? Certamente que seria quase impossível, estarmos os dois no mesmo espaço e não se passar nada, para além de uma simples conversa. Levei muito tempo a perguntar-me se, caso nos cruzássemos na rua, ele falar-me-ia e se me cumprimentaria com dois beijinhos no rosto. Sim, porque nele, acho que não era capaz de lhe dar um beijo na face, quando a boca estava ali tão perto e o desejo, provavelmente, falaria mais alto.
Findados alguns meses esqueci-me que ele existia. Apenas, de vez em quando, recordava com carinho aquela magnifica noite de São João.
Os anos foram correndo e nunca mais tivemos contacto. Vimo-nos, por acaso, nas urgências do hospital – eu com uma gastroenterite e ele com um braço partido. Falámos bem, sem tocar no passado, mas ninguém voltou a colocar a hipótese de, nem sequer, combinar em beber um café.
Essa foi a última vez que vi o Custódio.
CAPÍTULO IV – C. André M.
Como referi no capítulo anterior, antes do Custódio vinha o André.
A primeira vez que o vi foi na igreja, estávamos num casamento e o meu pensamento em relação àquele puto foi:
“Este gajo é bué convencido. Bom como o milho, mas convencido que se farta. Deve ter a mania que é mais que os outros. Não vou à bola com ele”. Nunca engoli tão rapidamente as minhas palavras. Algumas horas mais tardes já estava a curtir com ele.
Qual o meu espanto, quando ao chegar ao restaurante deparei com ele, sentado na mesa em frente à minha.
“Fogo, aquele tipo tinha de ficar mesmo diante de mim” – matutei comigo.
Bem, nem tudo foi assim tão mau. Ao longo do jantar houve uma troca de olhares, primeiramente com algum rancor, da minha parte, mas depois deixei-me seduzir por aqueles olhos e aquele sorriso. Comecei a mirá-lo com alguma empatia, e um pouco de sorrisos à mistura.
Fez-me sinal para eu ir até ao pátio do restaurante e segui-o.
Aí tivemos uma conversa limitada, pois havia muitos convidados e música estava alta. Desafiou-me para sairmos dali e dar-mos uma volta pelo local. Ele conhecia bem aquele sítio, eu é que estava deslocada da minha cidade, do meu meio. Aprovei a incitação e fomos até à beira mar. Escusado será dizer que, com o clima existente, acabámos por curtir.
Quando nos deslocava-mos para o restaurante, encontrámos uns amigos dele. Vínhamos de mãos dadas. Ao aproximarmo-nos dos amigos tentei tirar a minha mão, mas em vão, pois ele agarrou-me com alguma força e apresentou-me a toda a gente:
- É a minha namorada.
Fiquei estupefacta com a frase de apresentação. Não tive reacção nenhuma. “Namorada? – Acabámo-nos de nos conhecer! Não foi só uma curte de momento?” – foram as frases que eu pensei, mas fui incapaz de as proferir.
Apesar dos 60 km que nos separavam, estávamos juntos constantemente.
Fazíamos amor na praia, no carro, no campo, ao ar livre, de dia, de noite... Onde quer que nós estivéssemos havia sempre lugar e desejo para dar uma queca.
(Embora os melhores momentos de sexo que já tive até agora, serão aqueles que irei descriminar mais pormenorizadamente com o Cláudio, o Leonardo e o João).
No dia em que fizemos 3 SEMANAS de namoro coincidiu com o meu aniversário e ele ofereceu-me um anel – um Solitário. O tipo passou-se.
Obviamente que só colocava o anel quando ia ter com ele. O resto do tempo andava sem adornos nos meus dedos.
Lembro-me que nessa noite, depois da festa acabar, fui levá-lo a casa, mas parámos no caminho para comprar Red Bull. Ui, e a pica que aquilo dá.
Num sítio mais recôndito estacionámos e demos uma bela queca. O meu carro nunca tinha abanado tanto. Deve ter sido quase uma hora sempre a bombear. No dia seguinte nem nos conseguíamos mexer de tão doridos que estávamos.
Este gajo era bom na cama, mas tive de lhe ensinar os preliminares, pois ele preferia passar à frente e isso para mim é indispensável.
Foi um Verão bem quente, em todos os sentidos.
Para mim, para a satisfação do meu ser, tudo o que realmente é bom, não pode durar muito tempo, caso contrário, perde a sua eficácia e passa a ser banal e eu detesto banalidades. Sou uma pessoa simples e directa. Gosto de desfrutar a vida, aproveitando ao máximo o que nela há de melhor, mas só um pouco de cada coisa, de cada pessoa. Não gosto de repetir o mesmo várias vezes. Um gajo que dure três meses é o suficiente, pois dele já tirei o maior partido.(E isto digo também agora não só no ano 2000, quando andei com o André, como também hoje, nove anos depois). O princípio é óptimo, no meio começa a ser banal e passados dois anos é indiferente.
Com o término do Verão, a minha relação com o André também chegou ao fim.
CAPÍTULO V – C. Simão M.
Simão, a minha paixão, o meu verdadeiro AMOR.
Numa noite de Outubro, em que o tempo já arrefecia, descobri o sentimento que nos deixa bem quentes. Encontrei o AMOR da minha vida. Uma paixão intensamente vivida, a mais linda que já senti, aquela que nunca esqueci.
Simão, foi o único rapaz que eu não traí. Amei-o intensamente, com todas as minhas forças, foi de corpo e alma. E mesmo hoje, passados 9 anos, sem o ver há já alguns anos, não o esqueci e gostava de voltar a fazer o amor com ele, pela última vez.
Estava num bar em Albufeira, a curtir a música, dançando com os amigos, quando os meus olhos se cruzaram com os do Simão. Veio aquele jogo de olhar para ele e desviar os olhos quando ele olhava para mim, fazer o tal sorriso meio envergonhado, voltar a cara para o lado ou baixar a cabeça. Depois começar a dançar olhos nos olhos apesar dos 3 ou 4 metros que nos separavam. E no fim da noite, quando a música acabou, ele dirigiu-se a mim, apresentou-se e pediu-me o número de telemóvel. Dei, sem pensar sequer duas vezes. Não tinha o telemóvel consigo, pediu uma caneta e um papel ao DJ e apontou o meu contacto.
Foi bom acordar com uma mensagem dele.
Apesar de já estarmos quase em Novembro, o Algarve convida sempre a um passeio à beira mar, especialmente numa linda tarde de domingo ao lado da pessoa que nos faz acelerar o coração. Brincámos, rimos, saltámos, corremos na areia, na água. Parecíamos dois adolescentes apaixonados, já fazendo promessas de não nos esquecermos um do outro. Embora se houvesse uma enorme troca de carinho, o nosso primeiro beijo só surgiu na despedida, quando o maravilhoso dia chegou ao fim.
A operadora telefónica é que ficou a ganhar, pois passávamos horas a falar ao telefone e a enviarmos mensagens desde o amanhecer e até pela noite dentro.
Aprendi que, quando amamos alguém, o mundo não importa, os outros não existem, somos só nós. Acordava pensando nele; enquanto estava acordada, na minha mente só existiam os momentos, as palavras e as mensagens que trocava com o Simão; à noite adormecia meditando naquele rapaz, que, sem sombra de dúvida, eu estava amando cada vez mais, à medida que os minutos passavam; e, como não poderia deixar de ser, enquanto dormia, os meus sonhos eram com ele.
Todos os segundos que partilhava-mos em conjunto eram especiais e únicos. Nunca voltei a sentir nada igual com ninguém. Pode até ter sido quase semelhante, mas nunca tão intenso, no que concerne às emoções do meu coração.
Lembro-me da primeira vez que fizemos amor, foi no meu carro, num sábado à noite. Ele esqueceu-se de colocar o preservativo e explodiu dentro de mim. Só depois de termos acabado é que descobrimos que não usámos preservativo. E eu não tomava a pílula, mas avisei-o logo. A pílula do dia seguinte só era vendida mediante receita médica. E, neste país, só conseguimos consulta no médico de família três meses depois de a marcarmos.
Passei o resto da noite agoniada. No domingo tremia de tanto martírio. Falava-mos, eu bastante agoniada e ele muito calmo. Consegui ter um momento de lucidez e lembrei-me que conhecia uma senhora enfermeira no Serviço de Apoio ao Paciente. Telefonei-lhe imediatamente. Não quis adiantar o assunto por telemóvel, apenas que precisava de falar com ela urgentemente. Pediu-me para na segunda à tarde ir ter com ela ao seu trabalho. Sentiu que a minha voz tremia e pediu-me para ir ter com ela na segunda-feira, à tarde, pois estava de folga e só entrava ao serviço no dia seguinte.
Agradeci-lhe do fundo do coração.
Desliguei a chamada e marquei o número do Simão a contar-lhe do sucedido.
- Eu vou contigo – afirmou sem direito a discussão.
Sinceramente, como não fiz nada sozinha, até me sentia bem e mais segura com ele por perto, além disso, também era uma maneira da enfermeira verificar que estávamos os dois juntos naquele momento embaraçoso e o rapaz não era do tipo que fugia às suas (ir)responsabilidades.
Explicámos a situação, sem entrar em muitos pormenores íntimos. Não se senti à vontade o suficiente para dizer “nós tínhamos preservativo, mas este ficou na mão”, apesar de ter sido isso mesmo que aconteceu. Mas o sermão talvez fosse maior.
Fiz o teste do chichi para ver se estava grávida ou não. Embora o resultado fosse negativo, a enfermeira não quis correr o risco do teste falhar, e deu-me a pílula do dia seguinte.
Toda a gente sabe que o preservativo é para colocar no pénis e em todas as relações. Evita, não só uma gravidez inesperada, bem como várias doenças infecto-contagiosas, desde a Herpes, que tem tratamento, ao vírus HIV, que não tem cura e que degrada o ser humano.
Graças a Deus que nunca me aconteceu nada de mal.
Aconselhou-me, também, a tomar a pílula e receitou-me a mais fraca do mercado. Mas eu não me dou com essas cenas. Já experimentei várias marcas, mas os efeitos secundários são muitos e tive de me mentalizar que não posso tomar nenhuma. Tem de ser sempre o preservativo.
Agora também já existe o preservativo feminino, mas quando eu estive com o Simão foi há nove anos atrás, no ano 2000 e nessa altura ainda não tinha sido inventado tal coisa. Por acaso eu tenho um preservativo feminino, o qual me foi ofertado pela Cruz Vermelha Portuguesa, naquelas barraquinhas das feiras. Fiquei a saber que pode ser colocado até 8 horas antes do acto sexual.
Deve funcionar do género: “Esta noite vou sair. E até me apetece dar uma bela foda. Deixa-me lá colocar o preservativo. Assim já não quebra o ambiente de ainda ter de parar os preliminares, cortar o clima enquanto o gajo coloca o «saco de plástico». É logo a aviar.” Ainda não o usei.
Mas continuando a minha história com o Simão...
Nós dávamo-nos lindamente. Até quando íamos almoçar, mandávamos mensagens um ao outro, ao mesmo tempo, sem ser combinado, a desejar que um fosse a sobremesa do outro. Foi o primeiro rapaz a quem eu disse “ AMO-TE” e o único em que essas palavras fossem sinceras e verdadeiras. Pois, apesar de ter namorado com um gajo mais de 2 anos, nunca consegui sentir o que dizia, quando ele me pedia.
“AMO-TE”, “OBRIGADA” e “DESCULPA” deveriam ser palavras que só mereciam ser pronunciadas quando sentidas com o coração, mas a sociedade em que vivemos exige que nós utilizemos essas palavras como simples banalidades.
Aproveitava-mos todo o tempo livre que tínhamos para estarmos juntos, não desgrudávamos. Fazíamos amor louca e apaixonadamente, os beijos eram cada vez mais intensos e paixão estava à flor da pele. Falávamos sobre tudo. Éramos amigos e amantes.
Foram os momentos mais felizes da minha vida. Tive outros rapazes na minha vida, que duraram mais ou menos tempo; terei outros mais, mas o Simão, ninguém substitui.
Nunca percebemos porque acabou, porque findou um amor tão lindo, com tudo para dar certo.
Meses depois, voltámo-nos a reencontrar, a beijar e a fazer amor. Mas não conseguimos esclarecer o passado. Ficou aquela parte obscura, uma nuvem negra a pairar sobre nós. Ninguém teve coragem de tocar no assunto. E afastámo-nos novamente, sem percebermos o porquê.
CAPÍTULO VI – Luís M. C. G.
Este capítulo começou antes do André. Mas não sei se já acabou. Como há já muito tempo que não nos encontramos, creio que o posso escrever. Se acontecer algo depois, é só acrescentar, embora disso eu duvide.
A nossa história iniciou-se com uma simples amizade, mas rapidamente passou a ter outras tonalidades: passámos a ser amigos coloridos. Inicialmente, nesta amizade colorida só havia mesmo trocas de saliva (beijos). Como ele não avançava, eu também não ia mais além, ou caso contrário, ainda me arriscava a que ele me chamasse “tarada”, como o tarado do meu amigo Cláudio me chama.
Lembro-me quando nos conhecemos e ele descobriu que o meu signo é Caranguejo e o dele Peixes então voltou-se para mim:
- Como os nossos signos são ambos Água, se calhar já nos conhecemos no fundo do mar!
Levei alguns segundos assimilando o que acabara de ouvir. Preferi permanecer em silêncio a comentar tal exclamação como essa. Limitei-me a respirar fundo e a mudar de assunto.
Tentei, durante alguns dias, conversar sobre coisas da vida, assuntos banais, alguma cultura à mistura para dar alento ao tempo que passávamos juntos. Foi tudo em vão e desisti. Digamos que o facto de ter conhecido o André ajudou um pouco...
A nossa “relação” estava estagnada e o afastamento de alguns meses, cerca de um ano, foi óptimo, pois, quando nos voltámos a reencontrar ele estava mais apimentado. Será que tirou algum curso sobre MULHERES entretanto? Ou será que começou a ler sobre sexo? O que ele fez não sei, mas eu tirei algum proveito do resultado.
O rapaz beijava bem melhor, sabia percorrer o corpo de uma mulher, tanto acariciando com a mão, como apoderando-se com a boca de todo o meu ser, embora ainda tivesse muito que aprender e preconceitos a ultrapassar.
Embora o Outono tivesse surgido novamente, no Algarve não se sentia com muita intensidade e o tempo ainda convidava a passeios nocturnos à beira-mar. Então, dando largas aos desejos, aproveitando o calor que se sentia, mesmo ao cair da noite, nós fomos caminhar para a praia. Sentámo-nos na areia a conversar, o céu estrelado e a lua cheia despertavam outros interesses, desejos íntimos e fomes carnais.
Já passava da meia-noite, a praia estava deserta, apenas eu e ele. Como que por magia, as nossas roupas começaram a saltar do corpo e ficarem espalhadas na areia. Estávamos completamente nus, colados um ao outro, o desejo a fervilhar, mas ainda tivemos de interromper o momento mágico, por breves segundos, procurar o preservativo, para podermos embarcar num vaivém turbulento até atingirmos o limite máximo do prazer sexual – o orgasmo. Infelizmente, ele só consegue dar uma queca por noite.
Como o nosso horário sempre foi incompatível raras eram as vezes em que estávamos juntos, por isso, sempre que nos encontrávamos era para colocar a conversar em dia e, principalmente satisfazer os nossos desejos sexuais.
Num desses diálogos afirmei:
- Prefiro o que temos agora, do que aquilo que tínhamos antes.
- Explica-te – pediu ele.
- Antigamente as nossas conversas eram meio estúpidas e pouco se aproveitava. As trocas de carícias eram muito poucas e sempre as mesmas: beijinhos e pouco mais. Actualmente é diferente: falamos, é óbvio, mas os temas divergem e têm mais assunto. Os beijos são mais ardentes, mais apelativos à junção dos corpos.
O rapaz apesar de ter concordado comigo, deve ter ficado a pensar que eu era maluca e tarada. Pode pensar à vontade.
Bem, eu não sou ninfomaníaca, mas que gosto de dar uma boa foda, lá isso gosto, e não tenho problemas em admitir.
Não posso dizer que o sexo com o Luís era bom, somente satisfatório. Treinámos para que fosse bom, mas não atingiu bem o ponto que eu queria.
Hoje sou muito exigente na cama, pois quem tudo dá, tudo quer. Tento dar o máximo de prazer ao meu parceiro (o Renato bem pode afirmar). E quero ser sempre melhor: o bom tem de ser transformado em óptimo e o óptimo em melhor.
Na altura em que andava no second round com o Luís ainda não pensava assim, mas para lá caminhava. Foi por isso que tivemos de fazer uma nova pausa, desta vez durante meia dúzia de anos.
Passado esse tempo, numa noite fria e chuvosa de Inverno, percorri os 30 km que nos separavam e fui até à casa dele. O Luís tinha acabado de alugar uma casa sozinho e queria-me mostrá-la. Creio que num só minuto ele apresentou-me a casa toda.
Seguidamente pediu para me sentar no sofá e verificar se era confortável. Ainda eu não me tinha instalado bem já ele me estava a tirar a roupa. Foi uma questão de segundos para chegarmos à cama. Entre a sala e o quarto as roupas sumiram dos nossos corpos.
Demos uma queca satisfatória. Preferia que tivesse sido uma boa foda, mas foi apenas satisfatória. Ele ainda tem muito que aprender sobre sexo, principalmente os preliminares, que, por vezes, são mais provocadores, dão mais prazer que o simples acto de fornicar. Infelizmente ele não compreende isso muito bem o quão importante isso é, então decidi que aquela tinha sido a última vez. Já passou algum tempo – três anos – e não nos voltámos a defrontar.
Não vou dar por encerrado este capítulo, pois talvez ainda venha a precisar de acrescentar algo, por enquanto fica assim.
CAPÍTULO VII – Pablo
Pablo era amigo de um amigo meu e foi através deste amigo comum que nós nos conhecemos. Apesar de ter nascido na Alemanha já vive cá há muitos anos e fala perfeitamente português (ainda bem, porque alemão é que eu não percebo nada de nada mesmo).
Mais tarde vim a descobrir que o Pablo também era amigo do Luís (o protagonista do capítulo anterior). Numa das vezes que eu estava com o Luís comentei que tinha conhecido um conterrâneo dele e ao explicar quem era ele exclamou:
- Ah, já sei quem é! É o “triperna”.
Uau. Gostei da afirmação final. Mas para não pensar que tinha ouvido mal, ou que estava a associar erradamente, questionei:
- “Triperna”? Porquê “triperna”?
- Daah: “triperna” é igual a três pernas. Dizem que o caralho dele é tão grande que até dá para ser uma perna mais pequena.
Confesso que fiquei excitada e com vontade de confirmar se era mesmo verdade, embora nada comentasse com o Luís, apenas esbocei um sorriso e pensei que se o caralho do Pablo era assim tão grande, podia-se cortar-lhe um bocado e acrescentar no do Luís e assim ficavam os dois bons. LOL.
Mas o Pablo não era mesmo o meu estilo. Apesar de ser um rapaz alto – como eu gosto – naquela época ele tinha cabelo comprido – o que eu não gosto num rapaz – e, além disso, usava rastas – coisa que eu detesto.
Uma vez, nas vésperas de Natal, pediu-me boleia até à estação dos comboios, pois estava frio e a chover torrencialmente e não lhe apetecia percorrer aqueles cinco quilómetros a pé, já que a sua mota também acabara de avariar.
Dei-lhe boleia e trocámos de números de telemóvel.
Eu ainda estava um pouco em baixo, com o meu coração a palpitar pelo meu Simão, por isso quando ele me foi dar um beijo eu virei a cara para o lado.
- Não consigo, amo um rapaz – foi tudo o que pronunciei.
- É um simples beijo, não faz mal nenhum.
- Não vai dar.
- Nem um xoxo.
- Nada.
- Ok, tu é que sabes.
- Pois só eu sei o que sinto.
Ele partiu e eu fiquei a matutar se tinha agido correctamente, pois um básico beijo a desejar as Boas Festas não me faria mal nenhum e até me podia ajudar a esquecer o Simão mais rapidamente. Contudo, esquecer o amor da minha vida era algo que eu recusava aceitar. Acho que ainda tinha esperanças de voltar a vê-lo e assim foi. Estivemos novamente juntos, meses depois. Creio que só aí aceitei o fim. Será que aceitei mesmo? Claro que sim.
O Pablo continuou a estar presente, mas apenas como o amigo que sempre foi, sem nunca sequer ter existido uma troca de saliva.
Precisamente um ano depois de eu lhe ter dado boleia, voltou a fazer-me o mesmo pedido.
- Ok! Eu dou, na boa – retorqui.
- Mas, agora eu precisava de ir para casa. Os meus pais hoje não estão cá e não tenho como me deslocar da estação até casa.
- Já estás a abusar. Vais fazer-me andar este caminho todo com um trânsito caótico e o tempo infernal que está aí. Ainda por cima está quase a anoitecer.
- Eu vou de táxi, pronto – resmungou ele.
- Deixa estar. Eu levo-te a casa. Mas só desta vez. Não sou tua motorista.
- Muito obrigado. Fico-te eternamente agradecido. É a prenda de Natal antecipada.
Quando cheguei à casa dele, convidou-me para entrar e beber uma bebida quente, para enganar o frio que se fazia sentir lá fora.
Ligou o ar condicionado e a sala começou a aquecer.
Deu-me um chocolate quente e um beijo, o qual eu não recusei, mas também não correspondi. Perante esta minha atitude, beijou-me novamente e eu retribui.
Iniciou-se uma troca de beijos, a respiração começou a ficar ofegante, o frio evaporou dando lugar ao calor. As roupas caíam lentamente no chão, peça por peça. Ainda com a roupa interior vestida, sentia as mãos dele em todo o meu corpo, parando lentamente na minha zona íntima, debaixo das minhas cuecas. Como que por impulso introduzi a minha mão dentro dos boxeurs dele só para me certificar se eram mesmo “três pernas” e, neste caso, o boato era real. Continuava a sentir as suas mãos percorrer o meu corpo e a boca dele em todo o sítio: ora estava a beijar-me a boca, ora estava a abocanhar-me os mamilos, descendo com a língua até ao umbigo e um pouco até mais em baixo.
O sofá era pequeno para os nossos corpos, pelo que acabámos por dar uma bela duma foda no tapete da sala. Gostei de fornicar com ele, mas não me parecia que fosse um acto a repetir, pois eu só o tinha feito para matar a minha curiosidade no que concerne à alcunha dele.
Despedimo-nos com um grande linguado, umas carícias nos sexos e eu a partir com ele a implorar para repetirmos o acto, outra vez, naquele preciso e exacto momento.
- Tenho de ir – respondi.
- Manda-me uma mensagem quando chegares a casa.
Como não lhe enviei a maldita mensagem, deixei o telemóvel no meu quarto e fui para a sala, quando regressei ao quarto tinha várias mensagens e chamadas não atendidas. Por entre as mensagens recebidas da parte dele liam-se algumas do género: “Já chegaste a casa? Beijinho fofo.”; “Aconteceu alguma coisa para não responderes? Beijinho fofo.”; “Por favor, atende o telemóvel. Beijinho fofo.”, entre outras mensagens todas terminadas em “Beijinho fofo”. Fiquei enjoada com tantos beijinhos fofos, que no dia seguinte quando o encontrei ele veio-me dar um beijo e pedir satisfações, mas eu limitei-me a virar a cara para o lado e informar:
- Foi só ontem. Espero que não tenha estragado a nossa amizade. Além disso fartei-me de beijinhos fofos, isso já não se usa. Actualiza-te rapaz.
- Tu estás a gozar comigo, não estás? – interrogou estupefacto.
- Não.
- Andei mais de um ano a sonhar com aquele momento, a sonhar que serias minha. E, quando finalmente te tenho nos meus braços, dás-me uma tampa dessas? O que eu fiz de errado?
- Tu não fizeste nada errado. Para ser sincera, o momento de ontem foi bom, satisfizeste os meus desejos carnais, mas eu só fui para a cama contigo para confirmar se era mesmo real que tu tinhas “três pernas”.
- O quê? Não posso acreditar. Bastava dizeres que eu baixava as calças e mostrava-te o caralho. Estou muito decepcionado contigo. Fizeste figura de uma miúda vulgar.
O rapaz teve alguns meses sem me dirigir a palavra, mas hoje já conseguimos manter uma conversa sem que ele me jogue em cara as consequências daquele final de tarde com muito pouco espírito natalício.
Incentivaram-me para que eu publicasse um livro a relatar as minhas aventuras carnais.
O livro está completamente fora de questão por várias razões: desde o facto de ser quase impossível um estranho editar um livro, com todas as burocracias existentes nesse mundo, até ao facto de eu não querer dar a cara.
Assim, para não desapontar muito as três pessoas que conhecem as minhas histórias, resolvi criar um blog, meio anónimo, onde posso relatar as minhas aventuras.
Não sei se me deixarão fazê-lo, pois pode ferir susceptibilidades e assim procederem ao cancelamento da minha conta, com todo o direito.
Sempre tive pretendentes atrás de mim e até me senti atraída por um ou outro, mas por vergonha ou timidez nunca avancei para além de uma amizade. Até que um dia resolvi dar assas aos meus desejos e entrar no universo romântico.
Sempre dei os meus passos, numa qualquer relação, já bem tarde, para o “normal”, ou seja, o meu primeiro beijo de língua (linguado), foi aos 17 anos (quase 18) e a primeira vez que tive relações sexuais foi aos 19 anos (quase 20).
Precisamente dez anos depois de iniciar a minha vida sexual, comecei a escrever este texto, o qual não o colocarei no blog ainda, embora não o coloque logo directamente aqui. Nestes dez anos, muita coisa vivi, muito aprendi. Amei e fui amada. Descobri o verdadeiro significado do AMOR. Também traí e fui traída. Ri e chorei. Bons e maus momentos passei. Apanhei alguns sustos do género, o meu período atrasou, será que estou grávida? Cheguei a fazer testes para confirmar que não.
Mas estes pormenores contarei mais à frente, em cada capítulo. Sim, em cada capítulo, pois dividirei por capítulos cada rapaz que se cruzou na minha vida.
CAPÍTULO I – José A. M. ()
Este é o primeiro capítulo e talvez seja um dos mais pequenos.
O José era um adolescente lindo. O género de rapaz que tem tudo no lugar. Jovem, inteligente, atraente, bonito, sempre rodeado de amigos e amigas. Podia ter a rapariga que quisesse, pois, tanto as mais novas como as mais velhas não se importavam nada de andar com ele, muito pelo contrário, lisonjeavam tocar naquele corpinho. Pertencia a uma religião qualquer que segundo as suas palavras “estava meia hora a falar com Deus e meia hora a falar com o Diabo”. Creio que foi o Diabo que o levou do mundo dos vivos ainda tão jovem, na flor da idade, num trágico e mortal acidente de viação. Que Deus tenha a sua alma em descanso.
O primeiro rapaz a quem eu dei um linguado mesmo a sério. Já lá vão 11 anos. Mas lembro-me perfeitamente. Estava meia envergonhada, um pouco assustada. Não sabia bem como fazer...
Foi no Verão. Estava uma tarde bem quente, ou não estivéssemos nós no Algarve. Andava eu a tirar a carta de condução, quando o reencontrei numa rua da cidade.
Há muito que não nos víamos, pois existia uma distância significativa entre nós e na altura não éramos tão dependentes dos telemóveis como agora. Nem toda a juventude tinha um telemóvel. Agora qualquer criança da primária já tem um...
Ele convidou-me para irmos passear, só dar uma volta e ver o mar. Aceitei de imediato. Foi namorado de uma amiga minha, mas já estava livre e descomprometido.
Íamos os dois em direcção ao mar. De repente, ele parou, encostou-me a uma parede e beijou-me. Nem sei o que senti. Talvez um arrepio no estômago, uma adrenalina a subir pela espinha. Algo esquisito que já nem me lembro bem. Mas foi bom. Senti a língua dele na minha boca. Pensei: “O que é que eu estou a fazer?” Nem tive tempo de encontrar uma resposta, visto já ter uma mão dele a agarrar o meu seio. Tentei afastar-me. Ele puxou-me contra o seu corpo e não parava de me beijar. Como estávamos com os corpos muito juntinhos, senti uma “coisa” dura contra o meu ventre. Óbvio que sabia o que era. Mas a com minha inexperiência e ingenuidade não sabia que “aquilo” crescia tão rápido apenas com uns simples beijos.
Pouco a pouco já me encontrava à vontade na arte de beijar, de dar uns belos linguados e o Zé apercebeu-se disso e disse-me:
- Já tas mais descontraída.
- Falta de prática – comentei eu.
Como tudo nesta vida eu aprendo rapidamente, isto foi fácil e em menos de cinco minutos já era uma craque na habilidade dos beijos.
Tudo estava a correr bem, até que tive mais uma surpresa.
O rapaz pegou na minha mão e colocou-a dentro dos boxeurs dele. O meu pensamento foi “Uau, que coisa grande e grossa que eu tenho aqui na minha mão”. Mas não passou dali. Ele queria mais e mais eu não lhe dava.
Curtimos outras vezes. Foi bom. O Verão acabou e perdemos o contacto.
Passados alguns meses voltámo-nos a encontrar. Ficou a promessa de relembrar os bons e velhos tempos e quem sabe acrescentar algo mais.
No entanto, o destino separou-nos outra vez.
Passados alguns anos, encontrei uma amiga dele. Ao perguntar-lhe pelo Zé, obtive a mais triste resposta:
- O Zé faleceu num acidente de carro.
É aqui, com um final triste, que acaba o primeiro capítulo da minha história.
CAPÍTULO II – César
Antes do César vinha o Cláudio. Mas, como este é uma história bem mais longa – ainda dura, de vez em quando – resolvi passar à frente. Sim, porque o capítulo do Cláudio é bastante longo. De vez em quando, ainda damos uma bela queca, para matar as saudades. A nossa amizade é linda.
Como sempre fui uma rapariga que gosta de frequentar os mais diversos sítios, desde a discoteca mais in até um simples bailarico, numa noite fria de Dezembro fui a um baile com a malta amiga. Foi aqui que conheci este rapaz. Nunca soube dançar estas músicas, pois era algo que não me interessava.
O César convidou-me para dançar.
- Não sei dançar este tipo de música – foi a minha resposta.
- Eu ensino-te – contestou ele.
Mal sabia eu que também teria de lhe ensinar algo.
Não me apetecia entrar em discussão e cedi ao seu pedido. Fiquei surpreendida comigo mesma, pois até estava a acertar o passo com o rapaz. Dançámos a noite toda.
A excitação de fazer algo diferente naquela noite foi tanta, que até nos esquecemos de trocar os contactos.
(Já estamos em Janeiro de 1999).
Tempos depois, encontrei a irmã do César com uma amiga. Elas reconheceram-me imediatamente e apenas quiseram confirmar se era mesmo eu, pois ele só falava em mim noite e dia, apesar de nunca me ter visto nem saber se me voltaria a reencontrar. Eu nem as conhecia, não me lembrava da cara delas, nem sequer de as ter visto naquela noite, pois a minha atenção estava focada única e exclusivamente no jovem. Após a confirmação, a irmã dele deu-me a morada, visto o rapaz ainda não possuir telemóvel. Se fosse ao próprio dar-lhe-ia o meu contacto, mas a terceiros não.
Escrevi-lhe uma carta, sem remetente, a marcar um encontro num determinado dia, a uma certa hora. O rapaz apareceu.
Passámos o dia inteiro juntos. A meio da tarde, entre frases quase inacabadas, muita vergonha e timidez à mistura, pediu-me em namoro.
Aceitei, o gajo era giro, simpático, porreiro, pareceu-me bem e aceitei.
Ia-me beijar, mas recuou:
- Há um problema – afirmou ele.
- Qual problema? – questionei, fazendo, no meu pensamento, mil perguntas a mim mesma.
- Eu não sei beijar – proferiu cabisbaixo.
“Isso nunca se diz”, pensei eu, enquanto tentava assimilar se era mesmo aquilo que eu tinha ouvido.
- Que idade tens mesmo? – foi a pergunta que me veio à cabeça.
- 23.
- Bem, já que me ensinaste a dançar, eu ensino-te a beijar.
Já me sentia uma “expert” em matéria de beijos, após a minha alucinada experiência com o Zé e as loucuras (da altura), com o Cláudio.
Levei o resto da tarde a ensinar-lhe a beijar.
Nesse dia, o Cláudio comemorou o seu 18º aniversário. E, que bela prenda de anos que ele recebeu da minha parte: um par de cornos. Bem, não posso dizer que foi propriamente uma parelha, pois a nossa relação não era nada séria. Era mais uma amizade colorida. Eu estava e não estava com ele. A nossa história era um pouco diferente das outras histórias de casalinhos. Agora também é, mas de modo distinto e mais escaldante.
Eu e o César trocámos de contactos ao final do dia.
Telefonava-lhe para ele ir à escola ter comigo. No dia e hora marcada, lá estava ele no portão à minha espera. Passávamos o dia no jardim ou em frente à doca.
O rapaz lá ia aperfeiçoando o seu modo de beijar.
Uma bela manhã, estava eu a tomar o pequeno – almoço com os meus amigos, num café em frente à escola, quando o vejo entrar naquele estabelecimento comercial. Entrei em parafuso. Se nós não tínhamos combinado nada, como é que ele se atrevia a aparecer na escola? Como o café estava cheio, escondi-me atrás dos meus amigos.
Chegou a hora de entrada e eu ia ter aulas. Mas ele estava lá fora, perto da porta do café, em frente ao portão. No meio da malta saí dali e corri para a escola.
No final da aula pensei em dar uma volta com uma colega, para desanuviar e poder contar-lhe aquela cena. Mas, quando nos preparávamos para sair, ele ainda estava de plantão à frente do portão. Que cena marada. A escola tinha mais dois portões, mas encontravam-se fechados, ainda.
Como o rapaz não resolvia ir embora, tivemos de esperar que o outro portão abrisse.
Saí dali, bem furiosa. Sentei-me num banco de jardim. Arranquei uma folha dum caderno, peguei numa caneta e escrevi-lhe uma carta que se resumia a: “Nunca mais apareças na escola. Esquece que eu existo.”
Tenho a certeza que ele recebeu a carta, pois nunca mais me procurou e a nossa história terminou ali.
CAPÍTULO III – Custódio
O Custódio é um capítulo antecipado, pois antes vinha o Luís, mas como com este as coisas aprofundaram-se mais após uma pausa, coloquei este primeiro.
Foi no dia 1 de Maio que nos conhecemos. Estava bastante calor. A ribeira sempre transmitia uma aragem fresca. A festa era porreira, embora a música fosse de um nível mais inferior.
O seu corpo musculado e o facto de ter mais 9 anos que eu, despertou em mim, uma vontade enorme de o beijar. Tinha a consciência, que seria apenas uma curte do momento, caso ele me desse a oportunidade de o poder beijar.
Ele, como homem experiente, rapidamente percebeu o que eu queria. Convidou-me para passear junto à ribeira, mais isolados daquela multidão. Lembro-me de irmos andando, de repente ele estacou e puxou-me o braço. Com o impulso, quando me voltei, beijou-me. Uau, e que beijo. Já beijei muitos rapazes, mas o Custódio foi e ainda é, sem dúvida, o rapaz que melhor beija. Em cada beijo ia à lua vinha. Aquela língua fez maravilhas na minha boca.
Foi um término de tarde maravilhoso.
Contudo, tínhamos de voltar para junto dos amigos.
Era difícil olhá-lo e resistir à tentação de efectuar ali uma troca de saliva. Quando tive de deixar aquele lugar, ele aproximou-se e colocou na minha mão um papel com o seu número de telemóvel.
Ainda chegámos a sair algumas vezes ao longo do mês.
Em Junho conheci o André – será o próximo capítulo, mas precisava de fazer esta referência – e começámos a namorar.
Na noite de São João tive um desencontro com o André – que comentarei no respectivo espaço – então telefonei ao Custódio para irmos sair. Não resistiu ao convite.
Fomos os dois até uma praia. A 2 km dali ouviam-se as marchas populares de São João.
No meio da conversa, deu-se uma troca de carinhos e, naquele aconchego, ele beijou-me. Poderia ter parado, pois tinha um namorado recente, mas não, deixei-me levar, também, principalmente, porque estava irritada do desencontro que tive com o André, apesar deste não ter culpa nenhuma.
Como o Custódio já era um homem entendido em mulheres, certamente com uma vasta lista delas por entre os seus braços, obviamente que não queria andar só aos beijinhos. Entre muitas carícias foi-me tirando roupa (a minha e a dele). Entreguei-me completamente a ele, de corpo e alma. Informei-o que nunca o tinha feito. Compreendeu, mas não parou, eu também não o pedi para o fazer. Foi muito carinhoso e meigo comigo. Foi a minha primeira vez, por isso não vou entrar em pormenores sórdidos, pois é especial de mais. Apenas digo que foi um acontecimento lindo e maravilhoso, não há palavras para explicar.
Durante toda a noite perguntou-me se eu estava bem.
Ficámos naquela praia até ao nascer do Sol. Depois tomámos o pequeno – almoço juntos. E cada um seguiu para a sua casa.
Ao longo do dia, entupiu-me a caixa do telemóvel com mensagens. Não tive coragem para responder a nenhuma. As chamadas não atendidas também se iam acumulando. Somente ao final da tarde contei-lhe que tinha namorado. Creio que ele não compreendeu bem e, como eu me recusava a atender o telemóvel, enviou-me uma mensagem onde me acusava de eu não ter coração e, que depois da noite que tínhamos acabado de passar juntos, seria impossível eu gostar mais do rapaz a quem chamava de namorado do que dele.
Após tantos dias em que andámos a curtir, depois daquela noite de amor, como seria possível eu não sentir algo mais profundo por ele? Era apenas como amigo que o queria a meu lado? Certamente que seria quase impossível, estarmos os dois no mesmo espaço e não se passar nada, para além de uma simples conversa. Levei muito tempo a perguntar-me se, caso nos cruzássemos na rua, ele falar-me-ia e se me cumprimentaria com dois beijinhos no rosto. Sim, porque nele, acho que não era capaz de lhe dar um beijo na face, quando a boca estava ali tão perto e o desejo, provavelmente, falaria mais alto.
Findados alguns meses esqueci-me que ele existia. Apenas, de vez em quando, recordava com carinho aquela magnifica noite de São João.
Os anos foram correndo e nunca mais tivemos contacto. Vimo-nos, por acaso, nas urgências do hospital – eu com uma gastroenterite e ele com um braço partido. Falámos bem, sem tocar no passado, mas ninguém voltou a colocar a hipótese de, nem sequer, combinar em beber um café.
Essa foi a última vez que vi o Custódio.
CAPÍTULO IV – C. André M.
Como referi no capítulo anterior, antes do Custódio vinha o André.
A primeira vez que o vi foi na igreja, estávamos num casamento e o meu pensamento em relação àquele puto foi:
“Este gajo é bué convencido. Bom como o milho, mas convencido que se farta. Deve ter a mania que é mais que os outros. Não vou à bola com ele”. Nunca engoli tão rapidamente as minhas palavras. Algumas horas mais tardes já estava a curtir com ele.
Qual o meu espanto, quando ao chegar ao restaurante deparei com ele, sentado na mesa em frente à minha.
“Fogo, aquele tipo tinha de ficar mesmo diante de mim” – matutei comigo.
Bem, nem tudo foi assim tão mau. Ao longo do jantar houve uma troca de olhares, primeiramente com algum rancor, da minha parte, mas depois deixei-me seduzir por aqueles olhos e aquele sorriso. Comecei a mirá-lo com alguma empatia, e um pouco de sorrisos à mistura.
Fez-me sinal para eu ir até ao pátio do restaurante e segui-o.
Aí tivemos uma conversa limitada, pois havia muitos convidados e música estava alta. Desafiou-me para sairmos dali e dar-mos uma volta pelo local. Ele conhecia bem aquele sítio, eu é que estava deslocada da minha cidade, do meu meio. Aprovei a incitação e fomos até à beira mar. Escusado será dizer que, com o clima existente, acabámos por curtir.
Quando nos deslocava-mos para o restaurante, encontrámos uns amigos dele. Vínhamos de mãos dadas. Ao aproximarmo-nos dos amigos tentei tirar a minha mão, mas em vão, pois ele agarrou-me com alguma força e apresentou-me a toda a gente:
- É a minha namorada.
Fiquei estupefacta com a frase de apresentação. Não tive reacção nenhuma. “Namorada? – Acabámo-nos de nos conhecer! Não foi só uma curte de momento?” – foram as frases que eu pensei, mas fui incapaz de as proferir.
Apesar dos 60 km que nos separavam, estávamos juntos constantemente.
Fazíamos amor na praia, no carro, no campo, ao ar livre, de dia, de noite... Onde quer que nós estivéssemos havia sempre lugar e desejo para dar uma queca.
(Embora os melhores momentos de sexo que já tive até agora, serão aqueles que irei descriminar mais pormenorizadamente com o Cláudio, o Leonardo e o João).
No dia em que fizemos 3 SEMANAS de namoro coincidiu com o meu aniversário e ele ofereceu-me um anel – um Solitário. O tipo passou-se.
Obviamente que só colocava o anel quando ia ter com ele. O resto do tempo andava sem adornos nos meus dedos.
Lembro-me que nessa noite, depois da festa acabar, fui levá-lo a casa, mas parámos no caminho para comprar Red Bull. Ui, e a pica que aquilo dá.
Num sítio mais recôndito estacionámos e demos uma bela queca. O meu carro nunca tinha abanado tanto. Deve ter sido quase uma hora sempre a bombear. No dia seguinte nem nos conseguíamos mexer de tão doridos que estávamos.
Este gajo era bom na cama, mas tive de lhe ensinar os preliminares, pois ele preferia passar à frente e isso para mim é indispensável.
Foi um Verão bem quente, em todos os sentidos.
Para mim, para a satisfação do meu ser, tudo o que realmente é bom, não pode durar muito tempo, caso contrário, perde a sua eficácia e passa a ser banal e eu detesto banalidades. Sou uma pessoa simples e directa. Gosto de desfrutar a vida, aproveitando ao máximo o que nela há de melhor, mas só um pouco de cada coisa, de cada pessoa. Não gosto de repetir o mesmo várias vezes. Um gajo que dure três meses é o suficiente, pois dele já tirei o maior partido.(E isto digo também agora não só no ano 2000, quando andei com o André, como também hoje, nove anos depois). O princípio é óptimo, no meio começa a ser banal e passados dois anos é indiferente.
Com o término do Verão, a minha relação com o André também chegou ao fim.
CAPÍTULO V – C. Simão M.
Simão, a minha paixão, o meu verdadeiro AMOR.
Numa noite de Outubro, em que o tempo já arrefecia, descobri o sentimento que nos deixa bem quentes. Encontrei o AMOR da minha vida. Uma paixão intensamente vivida, a mais linda que já senti, aquela que nunca esqueci.
Simão, foi o único rapaz que eu não traí. Amei-o intensamente, com todas as minhas forças, foi de corpo e alma. E mesmo hoje, passados 9 anos, sem o ver há já alguns anos, não o esqueci e gostava de voltar a fazer o amor com ele, pela última vez.
Estava num bar em Albufeira, a curtir a música, dançando com os amigos, quando os meus olhos se cruzaram com os do Simão. Veio aquele jogo de olhar para ele e desviar os olhos quando ele olhava para mim, fazer o tal sorriso meio envergonhado, voltar a cara para o lado ou baixar a cabeça. Depois começar a dançar olhos nos olhos apesar dos 3 ou 4 metros que nos separavam. E no fim da noite, quando a música acabou, ele dirigiu-se a mim, apresentou-se e pediu-me o número de telemóvel. Dei, sem pensar sequer duas vezes. Não tinha o telemóvel consigo, pediu uma caneta e um papel ao DJ e apontou o meu contacto.
Foi bom acordar com uma mensagem dele.
Apesar de já estarmos quase em Novembro, o Algarve convida sempre a um passeio à beira mar, especialmente numa linda tarde de domingo ao lado da pessoa que nos faz acelerar o coração. Brincámos, rimos, saltámos, corremos na areia, na água. Parecíamos dois adolescentes apaixonados, já fazendo promessas de não nos esquecermos um do outro. Embora se houvesse uma enorme troca de carinho, o nosso primeiro beijo só surgiu na despedida, quando o maravilhoso dia chegou ao fim.
A operadora telefónica é que ficou a ganhar, pois passávamos horas a falar ao telefone e a enviarmos mensagens desde o amanhecer e até pela noite dentro.
Aprendi que, quando amamos alguém, o mundo não importa, os outros não existem, somos só nós. Acordava pensando nele; enquanto estava acordada, na minha mente só existiam os momentos, as palavras e as mensagens que trocava com o Simão; à noite adormecia meditando naquele rapaz, que, sem sombra de dúvida, eu estava amando cada vez mais, à medida que os minutos passavam; e, como não poderia deixar de ser, enquanto dormia, os meus sonhos eram com ele.
Todos os segundos que partilhava-mos em conjunto eram especiais e únicos. Nunca voltei a sentir nada igual com ninguém. Pode até ter sido quase semelhante, mas nunca tão intenso, no que concerne às emoções do meu coração.
Lembro-me da primeira vez que fizemos amor, foi no meu carro, num sábado à noite. Ele esqueceu-se de colocar o preservativo e explodiu dentro de mim. Só depois de termos acabado é que descobrimos que não usámos preservativo. E eu não tomava a pílula, mas avisei-o logo. A pílula do dia seguinte só era vendida mediante receita médica. E, neste país, só conseguimos consulta no médico de família três meses depois de a marcarmos.
Passei o resto da noite agoniada. No domingo tremia de tanto martírio. Falava-mos, eu bastante agoniada e ele muito calmo. Consegui ter um momento de lucidez e lembrei-me que conhecia uma senhora enfermeira no Serviço de Apoio ao Paciente. Telefonei-lhe imediatamente. Não quis adiantar o assunto por telemóvel, apenas que precisava de falar com ela urgentemente. Pediu-me para na segunda à tarde ir ter com ela ao seu trabalho. Sentiu que a minha voz tremia e pediu-me para ir ter com ela na segunda-feira, à tarde, pois estava de folga e só entrava ao serviço no dia seguinte.
Agradeci-lhe do fundo do coração.
Desliguei a chamada e marquei o número do Simão a contar-lhe do sucedido.
- Eu vou contigo – afirmou sem direito a discussão.
Sinceramente, como não fiz nada sozinha, até me sentia bem e mais segura com ele por perto, além disso, também era uma maneira da enfermeira verificar que estávamos os dois juntos naquele momento embaraçoso e o rapaz não era do tipo que fugia às suas (ir)responsabilidades.
Explicámos a situação, sem entrar em muitos pormenores íntimos. Não se senti à vontade o suficiente para dizer “nós tínhamos preservativo, mas este ficou na mão”, apesar de ter sido isso mesmo que aconteceu. Mas o sermão talvez fosse maior.
Fiz o teste do chichi para ver se estava grávida ou não. Embora o resultado fosse negativo, a enfermeira não quis correr o risco do teste falhar, e deu-me a pílula do dia seguinte.
Toda a gente sabe que o preservativo é para colocar no pénis e em todas as relações. Evita, não só uma gravidez inesperada, bem como várias doenças infecto-contagiosas, desde a Herpes, que tem tratamento, ao vírus HIV, que não tem cura e que degrada o ser humano.
Graças a Deus que nunca me aconteceu nada de mal.
Aconselhou-me, também, a tomar a pílula e receitou-me a mais fraca do mercado. Mas eu não me dou com essas cenas. Já experimentei várias marcas, mas os efeitos secundários são muitos e tive de me mentalizar que não posso tomar nenhuma. Tem de ser sempre o preservativo.
Agora também já existe o preservativo feminino, mas quando eu estive com o Simão foi há nove anos atrás, no ano 2000 e nessa altura ainda não tinha sido inventado tal coisa. Por acaso eu tenho um preservativo feminino, o qual me foi ofertado pela Cruz Vermelha Portuguesa, naquelas barraquinhas das feiras. Fiquei a saber que pode ser colocado até 8 horas antes do acto sexual.
Deve funcionar do género: “Esta noite vou sair. E até me apetece dar uma bela foda. Deixa-me lá colocar o preservativo. Assim já não quebra o ambiente de ainda ter de parar os preliminares, cortar o clima enquanto o gajo coloca o «saco de plástico». É logo a aviar.” Ainda não o usei.
Mas continuando a minha história com o Simão...
Nós dávamo-nos lindamente. Até quando íamos almoçar, mandávamos mensagens um ao outro, ao mesmo tempo, sem ser combinado, a desejar que um fosse a sobremesa do outro. Foi o primeiro rapaz a quem eu disse “ AMO-TE” e o único em que essas palavras fossem sinceras e verdadeiras. Pois, apesar de ter namorado com um gajo mais de 2 anos, nunca consegui sentir o que dizia, quando ele me pedia.
“AMO-TE”, “OBRIGADA” e “DESCULPA” deveriam ser palavras que só mereciam ser pronunciadas quando sentidas com o coração, mas a sociedade em que vivemos exige que nós utilizemos essas palavras como simples banalidades.
Aproveitava-mos todo o tempo livre que tínhamos para estarmos juntos, não desgrudávamos. Fazíamos amor louca e apaixonadamente, os beijos eram cada vez mais intensos e paixão estava à flor da pele. Falávamos sobre tudo. Éramos amigos e amantes.
Foram os momentos mais felizes da minha vida. Tive outros rapazes na minha vida, que duraram mais ou menos tempo; terei outros mais, mas o Simão, ninguém substitui.
Nunca percebemos porque acabou, porque findou um amor tão lindo, com tudo para dar certo.
Meses depois, voltámo-nos a reencontrar, a beijar e a fazer amor. Mas não conseguimos esclarecer o passado. Ficou aquela parte obscura, uma nuvem negra a pairar sobre nós. Ninguém teve coragem de tocar no assunto. E afastámo-nos novamente, sem percebermos o porquê.
CAPÍTULO VI – Luís M. C. G.
Este capítulo começou antes do André. Mas não sei se já acabou. Como há já muito tempo que não nos encontramos, creio que o posso escrever. Se acontecer algo depois, é só acrescentar, embora disso eu duvide.
A nossa história iniciou-se com uma simples amizade, mas rapidamente passou a ter outras tonalidades: passámos a ser amigos coloridos. Inicialmente, nesta amizade colorida só havia mesmo trocas de saliva (beijos). Como ele não avançava, eu também não ia mais além, ou caso contrário, ainda me arriscava a que ele me chamasse “tarada”, como o tarado do meu amigo Cláudio me chama.
Lembro-me quando nos conhecemos e ele descobriu que o meu signo é Caranguejo e o dele Peixes então voltou-se para mim:
- Como os nossos signos são ambos Água, se calhar já nos conhecemos no fundo do mar!
Levei alguns segundos assimilando o que acabara de ouvir. Preferi permanecer em silêncio a comentar tal exclamação como essa. Limitei-me a respirar fundo e a mudar de assunto.
Tentei, durante alguns dias, conversar sobre coisas da vida, assuntos banais, alguma cultura à mistura para dar alento ao tempo que passávamos juntos. Foi tudo em vão e desisti. Digamos que o facto de ter conhecido o André ajudou um pouco...
A nossa “relação” estava estagnada e o afastamento de alguns meses, cerca de um ano, foi óptimo, pois, quando nos voltámos a reencontrar ele estava mais apimentado. Será que tirou algum curso sobre MULHERES entretanto? Ou será que começou a ler sobre sexo? O que ele fez não sei, mas eu tirei algum proveito do resultado.
O rapaz beijava bem melhor, sabia percorrer o corpo de uma mulher, tanto acariciando com a mão, como apoderando-se com a boca de todo o meu ser, embora ainda tivesse muito que aprender e preconceitos a ultrapassar.
Embora o Outono tivesse surgido novamente, no Algarve não se sentia com muita intensidade e o tempo ainda convidava a passeios nocturnos à beira-mar. Então, dando largas aos desejos, aproveitando o calor que se sentia, mesmo ao cair da noite, nós fomos caminhar para a praia. Sentámo-nos na areia a conversar, o céu estrelado e a lua cheia despertavam outros interesses, desejos íntimos e fomes carnais.
Já passava da meia-noite, a praia estava deserta, apenas eu e ele. Como que por magia, as nossas roupas começaram a saltar do corpo e ficarem espalhadas na areia. Estávamos completamente nus, colados um ao outro, o desejo a fervilhar, mas ainda tivemos de interromper o momento mágico, por breves segundos, procurar o preservativo, para podermos embarcar num vaivém turbulento até atingirmos o limite máximo do prazer sexual – o orgasmo. Infelizmente, ele só consegue dar uma queca por noite.
Como o nosso horário sempre foi incompatível raras eram as vezes em que estávamos juntos, por isso, sempre que nos encontrávamos era para colocar a conversar em dia e, principalmente satisfazer os nossos desejos sexuais.
Num desses diálogos afirmei:
- Prefiro o que temos agora, do que aquilo que tínhamos antes.
- Explica-te – pediu ele.
- Antigamente as nossas conversas eram meio estúpidas e pouco se aproveitava. As trocas de carícias eram muito poucas e sempre as mesmas: beijinhos e pouco mais. Actualmente é diferente: falamos, é óbvio, mas os temas divergem e têm mais assunto. Os beijos são mais ardentes, mais apelativos à junção dos corpos.
O rapaz apesar de ter concordado comigo, deve ter ficado a pensar que eu era maluca e tarada. Pode pensar à vontade.
Bem, eu não sou ninfomaníaca, mas que gosto de dar uma boa foda, lá isso gosto, e não tenho problemas em admitir.
Não posso dizer que o sexo com o Luís era bom, somente satisfatório. Treinámos para que fosse bom, mas não atingiu bem o ponto que eu queria.
Hoje sou muito exigente na cama, pois quem tudo dá, tudo quer. Tento dar o máximo de prazer ao meu parceiro (o Renato bem pode afirmar). E quero ser sempre melhor: o bom tem de ser transformado em óptimo e o óptimo em melhor.
Na altura em que andava no second round com o Luís ainda não pensava assim, mas para lá caminhava. Foi por isso que tivemos de fazer uma nova pausa, desta vez durante meia dúzia de anos.
Passado esse tempo, numa noite fria e chuvosa de Inverno, percorri os 30 km que nos separavam e fui até à casa dele. O Luís tinha acabado de alugar uma casa sozinho e queria-me mostrá-la. Creio que num só minuto ele apresentou-me a casa toda.
Seguidamente pediu para me sentar no sofá e verificar se era confortável. Ainda eu não me tinha instalado bem já ele me estava a tirar a roupa. Foi uma questão de segundos para chegarmos à cama. Entre a sala e o quarto as roupas sumiram dos nossos corpos.
Demos uma queca satisfatória. Preferia que tivesse sido uma boa foda, mas foi apenas satisfatória. Ele ainda tem muito que aprender sobre sexo, principalmente os preliminares, que, por vezes, são mais provocadores, dão mais prazer que o simples acto de fornicar. Infelizmente ele não compreende isso muito bem o quão importante isso é, então decidi que aquela tinha sido a última vez. Já passou algum tempo – três anos – e não nos voltámos a defrontar.
Não vou dar por encerrado este capítulo, pois talvez ainda venha a precisar de acrescentar algo, por enquanto fica assim.
CAPÍTULO VII – Pablo
Pablo era amigo de um amigo meu e foi através deste amigo comum que nós nos conhecemos. Apesar de ter nascido na Alemanha já vive cá há muitos anos e fala perfeitamente português (ainda bem, porque alemão é que eu não percebo nada de nada mesmo).
Mais tarde vim a descobrir que o Pablo também era amigo do Luís (o protagonista do capítulo anterior). Numa das vezes que eu estava com o Luís comentei que tinha conhecido um conterrâneo dele e ao explicar quem era ele exclamou:
- Ah, já sei quem é! É o “triperna”.
Uau. Gostei da afirmação final. Mas para não pensar que tinha ouvido mal, ou que estava a associar erradamente, questionei:
- “Triperna”? Porquê “triperna”?
- Daah: “triperna” é igual a três pernas. Dizem que o caralho dele é tão grande que até dá para ser uma perna mais pequena.
Confesso que fiquei excitada e com vontade de confirmar se era mesmo verdade, embora nada comentasse com o Luís, apenas esbocei um sorriso e pensei que se o caralho do Pablo era assim tão grande, podia-se cortar-lhe um bocado e acrescentar no do Luís e assim ficavam os dois bons. LOL.
Mas o Pablo não era mesmo o meu estilo. Apesar de ser um rapaz alto – como eu gosto – naquela época ele tinha cabelo comprido – o que eu não gosto num rapaz – e, além disso, usava rastas – coisa que eu detesto.
Uma vez, nas vésperas de Natal, pediu-me boleia até à estação dos comboios, pois estava frio e a chover torrencialmente e não lhe apetecia percorrer aqueles cinco quilómetros a pé, já que a sua mota também acabara de avariar.
Dei-lhe boleia e trocámos de números de telemóvel.
Eu ainda estava um pouco em baixo, com o meu coração a palpitar pelo meu Simão, por isso quando ele me foi dar um beijo eu virei a cara para o lado.
- Não consigo, amo um rapaz – foi tudo o que pronunciei.
- É um simples beijo, não faz mal nenhum.
- Não vai dar.
- Nem um xoxo.
- Nada.
- Ok, tu é que sabes.
- Pois só eu sei o que sinto.
Ele partiu e eu fiquei a matutar se tinha agido correctamente, pois um básico beijo a desejar as Boas Festas não me faria mal nenhum e até me podia ajudar a esquecer o Simão mais rapidamente. Contudo, esquecer o amor da minha vida era algo que eu recusava aceitar. Acho que ainda tinha esperanças de voltar a vê-lo e assim foi. Estivemos novamente juntos, meses depois. Creio que só aí aceitei o fim. Será que aceitei mesmo? Claro que sim.
O Pablo continuou a estar presente, mas apenas como o amigo que sempre foi, sem nunca sequer ter existido uma troca de saliva.
Precisamente um ano depois de eu lhe ter dado boleia, voltou a fazer-me o mesmo pedido.
- Ok! Eu dou, na boa – retorqui.
- Mas, agora eu precisava de ir para casa. Os meus pais hoje não estão cá e não tenho como me deslocar da estação até casa.
- Já estás a abusar. Vais fazer-me andar este caminho todo com um trânsito caótico e o tempo infernal que está aí. Ainda por cima está quase a anoitecer.
- Eu vou de táxi, pronto – resmungou ele.
- Deixa estar. Eu levo-te a casa. Mas só desta vez. Não sou tua motorista.
- Muito obrigado. Fico-te eternamente agradecido. É a prenda de Natal antecipada.
Quando cheguei à casa dele, convidou-me para entrar e beber uma bebida quente, para enganar o frio que se fazia sentir lá fora.
Ligou o ar condicionado e a sala começou a aquecer.
Deu-me um chocolate quente e um beijo, o qual eu não recusei, mas também não correspondi. Perante esta minha atitude, beijou-me novamente e eu retribui.
Iniciou-se uma troca de beijos, a respiração começou a ficar ofegante, o frio evaporou dando lugar ao calor. As roupas caíam lentamente no chão, peça por peça. Ainda com a roupa interior vestida, sentia as mãos dele em todo o meu corpo, parando lentamente na minha zona íntima, debaixo das minhas cuecas. Como que por impulso introduzi a minha mão dentro dos boxeurs dele só para me certificar se eram mesmo “três pernas” e, neste caso, o boato era real. Continuava a sentir as suas mãos percorrer o meu corpo e a boca dele em todo o sítio: ora estava a beijar-me a boca, ora estava a abocanhar-me os mamilos, descendo com a língua até ao umbigo e um pouco até mais em baixo.
O sofá era pequeno para os nossos corpos, pelo que acabámos por dar uma bela duma foda no tapete da sala. Gostei de fornicar com ele, mas não me parecia que fosse um acto a repetir, pois eu só o tinha feito para matar a minha curiosidade no que concerne à alcunha dele.
Despedimo-nos com um grande linguado, umas carícias nos sexos e eu a partir com ele a implorar para repetirmos o acto, outra vez, naquele preciso e exacto momento.
- Tenho de ir – respondi.
- Manda-me uma mensagem quando chegares a casa.
Como não lhe enviei a maldita mensagem, deixei o telemóvel no meu quarto e fui para a sala, quando regressei ao quarto tinha várias mensagens e chamadas não atendidas. Por entre as mensagens recebidas da parte dele liam-se algumas do género: “Já chegaste a casa? Beijinho fofo.”; “Aconteceu alguma coisa para não responderes? Beijinho fofo.”; “Por favor, atende o telemóvel. Beijinho fofo.”, entre outras mensagens todas terminadas em “Beijinho fofo”. Fiquei enjoada com tantos beijinhos fofos, que no dia seguinte quando o encontrei ele veio-me dar um beijo e pedir satisfações, mas eu limitei-me a virar a cara para o lado e informar:
- Foi só ontem. Espero que não tenha estragado a nossa amizade. Além disso fartei-me de beijinhos fofos, isso já não se usa. Actualiza-te rapaz.
- Tu estás a gozar comigo, não estás? – interrogou estupefacto.
- Não.
- Andei mais de um ano a sonhar com aquele momento, a sonhar que serias minha. E, quando finalmente te tenho nos meus braços, dás-me uma tampa dessas? O que eu fiz de errado?
- Tu não fizeste nada errado. Para ser sincera, o momento de ontem foi bom, satisfizeste os meus desejos carnais, mas eu só fui para a cama contigo para confirmar se era mesmo real que tu tinhas “três pernas”.
- O quê? Não posso acreditar. Bastava dizeres que eu baixava as calças e mostrava-te o caralho. Estou muito decepcionado contigo. Fizeste figura de uma miúda vulgar.
O rapaz teve alguns meses sem me dirigir a palavra, mas hoje já conseguimos manter uma conversa sem que ele me jogue em cara as consequências daquele final de tarde com muito pouco espírito natalício.